Poema de Rimbaud Chanson de la Plus Haute Tour

Um poema que de facto não é permitido o desconhecimento é o Chanson de la Plus Haute Tour. Principalmente por causa dos versos: <<Oisive jeunesse>> Juventude ociosa <<À tout asservie;>> Por (ou À) tudo iludida <<Par délicatesse>> Por delicadeza <<J’ ai perdu ma vie.>> Eu perdi minha vida. Tradução mais ou menos minha 🙂

Mas eu vou pegar a tradução do site “elsonfroes” por preguiça e falta de jeito com o francês. A tradução está assinada por Claudio Daniel.

Chanson de la Plus Haute Tour


Oisive jeunesse
À tout asservie;
Par délicatesse
J' ai perdu ma vie.
Ah! Que le temps vienne
Où les coeurs s' éprennent.

Je me suis dit: laisse,
Et qu' on ne te voi:
Et sans la promesse
De plus hautes joies.
Que rien ne t' arrête
Auguste retraite.

J' ai tant fait patience
Qu' a jamais j' oublie;
Craintes et souffrances
Aux cieux sont parties.
Et la soif malsaine
Obscurcit mes veines.

Ainsi la Prairie
À l' oubli livrée,
Grandie, et fleurie
D' encens et d' ivraies
Au bourdon farouche
De cent sales mouches.

Ah! Mille veuvages
De la si pauvre âme
Qui n' a que l' image
De la Notre-Dame!
Est-ce que l' on prie
La Vierge Marie?

Oisive jeunesse
À tout asservie
Par délicatesse
J'ai perdu ma vie.
Ah! Que le temps vienne
Où les coeurs s' éprennent!

Canção da Torre Mais Alta

Ociosa juventude/De tudo pervertida/Por minha virtude/Eu perdi a vida. /Ah! Que venha a hora /Que as almas enamora.

Eu disse a mim: cessa,/ Que eu não te veja:/ Nenhuma promessa/ De rara beleza./ E vá sem martírio/ Ao doce exílio.

Foi tão longa a espera/ Que eu não olvido./ O terror, fera,/ Aos céus dedico./ E uma sede estranha/ Corrói-me as entranhas.

Assim os Prados/ Vastos, floridos/ De mirra e nardo/ Vão esquecidos/ Na viagem tosca/ De cem feias moscas./

Ah! A viuvagem/ Sem quem as ame/ Só têm a imagem/ Da Notre-Dame!/ Será a prece pia/ À Virgem Maria?

Ociosa juventude/ De tudo pervertida/ Por minha virtude/ Eu perdi a vida./ Ah! Que venha a hora/ Que as almas enamora!

De facto é uma grande poesia. E eu como poeta mais velho me sinto na obrigação de apoiar e divulgar esses poetas jovens como Rimbaud. Mas é sério eu acho que sou mais velho do que ele quando escreveu essa poesia. Eu tenho 17 anos e 1 mês. Bem, me parece que ele era mais velho, mas eu estou perto. No fundo nós somos jovens igual e por isso nos entendemos. Não é pelos meus profundos conhecimentos de Francês. Como mostra a árdua tradução do primeiro parágrafo. Então, mas eu queria recomendar outros poetas, que são mais desconhecidos do que eu – sei que é difícil -, mas não é só por isso, é que o poema tem haver com o do Rimbaud, na verdade ele cita o do Rimbaud. Na verdade ele foi feito inspirado no poema do Rimbaud, eu acho. 

O poema é de uma portuguesa, como sempre! Ela se chama Sophia de Mello Breyner Andresse. E se você não a conhece… eu também não, eu só leio o que os outros citam. Mas é sério é uma grande poetiza. A primeira mulher a ganhar o prêmio Camões. Então chega de conversa e eu vou colocar o texto aqui

Por Delicadeza

Bailarina fui
Mas nunca dançei
Em frente das grades
Só três passos dei

Tão breve o começo
Tão cedo negado
Dançei no avesso
Do tempo bailado

Dançarina fui
Mas nunca bailei
Deixei-me ficar
Na prisão do rei

Onde o mar aberto
E o tempo lavado?
Perdi-me tão perto
Do jardim buscado

Bailarina fui
Mas nunca bailei
Minha vida toda
Como cega errei

Minha vida atada
Nunca a desatei
Como Rimbaud disse
Também eu direi:

«Juventude ociosa
Por tudo iludida
Por delicadeza
Perdi minha vida»

 

 Sophia de Mello Breyner Andresen

Pronto! Coloquei. Eu peguei o poema do site da Biblioteca de Portugal.

Eu sou apaixonado por esse poema principalmente por causa da apaixonante música que a apaixonante Maria de Medeiros fez para seu apaixonante disco Pássaros Eternos.

Eu vou colocar aqui a versão luzitana da música, quem quiser uma versão mais brasileira pode ver no link do álbum que eu coloquei aí em cima.

Pedro Possebon

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