Sobre a queda do muro de Berlim

Um robô pousou num cometa. Mas eu juro que sou o mesmo homem. Nem mesmo meu genitais se alteraram. Tudo fico na mesma. Saudades do século Mal of Banality. Prazer ter crescido no Banality of Banality. Não é mais possível criar uma narrativa do tempo.
Estamos a pouco de acabar com a memória. Porque se queremos criar uma narrativa sobre os acontecimento temos que ser seletivos e, se tudo é banal não existe modo de criar esta narrativa. Todos os factos são os mesmos factos. Não é de uma vez que se morre. Estar bêbado e ser bêbado talvez não esteja tão longe quanto outrora. Todos os porres são o mesmo porre. Não existe diferença ontológica entre o robô o ué pousou no caralho e a velha que caiou na rua.
A melancolia de já não mais poder ser melancólico consome o homem que cresceu no século XXI. Do que adianta ser melancólico se não escrever. Do que adianta escrever se não faz diferença. Você fazendo striptease bêbado na festa de cinco anos do seu sobrinho não é mais nobre do que tu a descrever bêbado. Talvez nem dure mais tempo. Um vídeo no YouTube está fadado a ter mais acessos do que um texto no WordPress. E vai durar mais. Na sucessão acrítica dos dias críticos. Os críticos críticos sabem do que eu estou falando. Aliás, a crítica é algo que está fadado a desaparecer no século XXI. Claro, que o século XXI também não tem só coisas boas, todos amam os críticos, eles são pessoas felizes, andam todos com a mesma boina. Perece que nem mesmo foi lavada.
No fundo este é um texto sobre a queda do muro de Berlim. Eu sei que há outro muros – há muitos muros que não caíram ainda!
Aliás eu tenho que programar as minhas leituras de férias. Vai ser como sempre baseada em Nietzsche e em Marx. Porque como diz um grande filósofo ele são autores para se ler nas férias.
Mas ninguém se importa com os muros que ainda não caíram. A história ainda não acabou. Que aliás é um costume dela. Uma idiossincrasia histórica, podemos assim dizer. A sucessão de acontecimentos não se para de se suceder, quando parar será um acontecimento também. Essa é uma crítica que faço à aqueles que querem diminuir o estado. Quero dizer, a primeira coisa que fazem é uma comissão para diminuir o estado, comissão essa que pela sua própria existência passa a pôr si só a aumentar o estado. É como um suicida que antes de matar-se toma um remédio para a tensão.
Eu não gosto da linguagem porque ela denúncia por onde andamos. E pode o leitor se questionar, porque o Pedro não quer que saibam por onde ele anda? Fará ele ago de errado na vida? Olha meu amigo, quase tudo. Mas não é sobre isso que eu ia falar. É que o ruim de que saibam por onde você andou – caso você tenha crescido no século XXI. É que não faz sentido você ter andado por aqueles lado. Não que os lados em si não faziam sentido. É que nada mais faz muito sentido depois da queda do muro de Berlim. É como o fim do cosmo. Nunca mais estaremos seguros. Não temos mais por onde andar. É isso digo eu! Que acordo todos os dias às 6 para estudar. Mesmo que o meu horário oficial de estudos seja a noite. Naquele lugar que tem, tipo paredes, e janelas, e pessoas para estudar e tal. Lá mesmo onde você está pensando. Mesmo que nada justifique acordar neste horário eu acordo. Os especialista até dizem que é melhor. Aliás, algo que faz fama hoje são os especialistas. Porque tipo, os especialistas são especialistas. Eles estão na merda como você e até eu. Mas ele sabem e estão aí para dizer. O você. Como quer saber também vai escutá-los.
Ontem alguém fez uma pergunta para um presidente chinês. Eu sei disto. E ninguém precisa me cobrar uma posição. Eu estou basicamente perdido. Procurando um muro de Berlim para poder me apoiar. Aliás você já notou o que o Cioran teve o seu derrame logo em 1989. O ano em que formamos massas e massas de Cioranianos, ou algo parecido.
Eu devia dar mais valor à literatura brasileira. Mas a literatura brasileira, tanto como a portuguesa, a francesa – que por acaso não existe – e até a inglesa não tem valor em si. E também não tem valor nenhum.
Pêra aí a Bastilha caiu de novo! Ah não eu me confundi. Parece que hoje não temos nada para o jantar.

Pedro Possebon

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