Salazar, a grande mamãe de Portugal.

Salazar, a grande mamãe de Portugal.

Estamos sempre acompanhados. Não somos nunca solitários, podemos estar sozinhos, mas sempre temos um outro dentro de nós que nos conforta. Vivemos sempre em relação, não somos unidades fechadas em si mesma. Não se nasce sozinho.
As nossas primeiras relações são extremamente importantes para que as outras dêem certo. Se não nos relacionamos com a mãe ou o pai é preciso substituí-los de algum modo. Isso funciona tanto para pessoas quanto para instituições. Quero explicar o que estou dizendo usando como exemplo a história de Portugal.
Brigas na corte são extremamente frequentes. É conhecida a história de que Dom Afonso Henrique, o fundador de Portugal surrou a mãe. Assim tivemos um estado criado pela ruptura com uma matriz geradora e unida por uma causa, a luta contra os mouros.
Esta história fez com que Portugal se desenvolvesse um país ultra-violento. Mesmo em um país pequeno era incontável a quantidade de milícias que se formavam para brincar de lutinha. Até que chegou a grande mãe, aquela que poderia controlar o menino que cresceu furioso, essa mãe era António de Oliveira Salazar.
Salazar foi a Big Mother portuguesa. A partir dele o país que chegou ao ponto de matar um rei conseguiu ser a terra de brandos costumes que é hoje. Obviamente este processo não foi nem de perto nem de longe algo que devam os lusitanos orgulhar-se. Deu-se com muita censura, tortura, assassinato, etc. coisas se mãe.
Com a grande crise que o país enfrenta o ex-presidente e pai da democracia portuguesa Mario Soares insinuou que o atual presidente Aníbal Cavaco Silva e o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho poderiam sofrer algum tipo de violência por parte da população. Não querendo eu entrar no mérito de discutir se estas declarações feitas por um ex-presidente da república são aceitáveis ou mão, cabe a mim salientar que ele quase esteve certo.
Se não fosse a grande mamãe António de Oliveira Salazar provavelmente o chefe de estado sofria um “regicídio republicano”. A luta de Maria Soares, como a de todos aqueles que não consegue crescer é contra a mãe, a política que ele faz até hoje é combater Salazar. Como diria Fernando Pessoa sobre Salazar “coitadinho do tiraninho / não bebe vinho / nem sozinho”.

Pedro Possebon, São Paulo, 18 de fevereiro de 2015

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