Eu, um cosmopolita.

Eu fico observando os amigos de infância do meu pai. Todos morando na mesma vila. Todos preenchidos por uma lembrança “popular”. A observação dos outros contribui para a compreensão de mim próprio. Eu me vejo como um desastre por notar o provincianismo dos meus pares e daqueles com que me relaciono e, ao mesmo tempo, ser cosmopolita e ter ojeriza à províncias! A própria questão dos amigos de infância. Eu estou certo que em pouco tempo não vou nem sequer lembrar de antes dos meus 15 anos, pois não vai haver quem me rememore. O próprio bairro para mim é uma questão relativa. Não tenho amigos no meu bairro, não estou ligado a ele. Apesar de que adoro andar a pé, por isso as ruas sempre estarão na minha memória “Só se lembra dos caminhos velhos / Quem tem saudades da terra” diria Zeca Afonso. Talvez as ruas, o concreto do meu bairro, seja a única coisa que me lembre dos meus primeiros anos de vida. Sempre serei um cosmopolita com saudades da província em que nasci. Em outras palavras, um desastre ambulante.

Pedro Possebon, 11 de abril de 2015, Santo André

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