A ciência como atividade metafórica

Hoje, tentando superar a inutilidade de pensar apenas com a cabeça de baixo, dei início ao meu projeto de estudar todas as figuras de linguagem. Estudarei uma por dia, se me apetecer vou escrever sobre. Não prometo nada, talvez este texto seja o último que escreverei em minha vida. Não que pretenda morrer cedo, mas estou com vontade de escrever e tenho o que dizer. Creio que sem isso não há [mais] sentido em escrever mais textos. Há muitas palavras já escritas no mundo, não se deve ocupar mais espaço com inutilidades. O meu estudo começou com a Metáfora e vou explanar meias idéias sobre a ciência após explanar sobre a célebre Metáfora. Antes vou fazer algumas considerações sobre as figuras de linguagem.

A forma como é sistematizado o estudos das figuras de linguagem é muito curiosa. Pois conta com quatro divisões, que se excluirmos as “figuras de” sobra uma noção interessantíssima sobre o que é a própria linguagem. As figuras de linguagem são divididas em, figuras de som, de palavra, de pensamento e de construção. Aqui há uma reflexão sobre a linguagem. Pois, com esta divisão, podemos dizer que a linguagem é som, palavra (ou seja, algo que no limite é imagem), pensamento (atividade de abstração) e construção (ou seja, forma, forma de formalidade, de causa formal, se é que me entendem).

A Metáfora é uma comparação sem necessitar a presença dos elementos comparativos. Isto abarca toda ideia de ciência pré-ceticismo. O Ceticismo trouxe a necessidade da comprovação empírica. Com isso, fez com que a ciência deixasse de ser apenas comparativa-racional e passasse a ser experimental a fim de verificar na experiencia empírica o real. Pré-ceticismo a ciência poderia ser apenas uma atividade metafórica e em certo sentido ela continua sendo.

As teorias e ciência não empíricas – hoje, com o fim da Metafísica, a tão prestigiante Matemática vai a frente, neste carrossel de ciências não empíricas, meramente subjetivas em que não há vencedores no final e em que todos vão ganhar uma medalinha dizendo “good job” sem mesmo saber direito o que produziram ou não…

As ciências não empíricas são ou poderiam ser uma mera atividade metafórica. Pois, o real poderia ser apreendido com uma imagem, mais ou menos semelhante, do objeto que se pretende apreender. Dou exemplos de todas as espécies.

Tudo é água – com isso Tales de Mileto apreende que o movimento do cosmo pode ser entendido como se entende a mudança de estado líquido. A água mudando de líquido para sólido, de sólido para gasoso e etc. – todos aqueles processos que eu deveria ter decorado nas aulas de Química.

O inconsciente – pensar que há uma subjetividade no homem é ideia de maluco. A partir disso, pensar que há uma consciência é mera conclusão da loucura primeira. Agora, pensar que na consciência que foi por si inventada há um inconsciente. Aí meu amigo, é para internação. Pois, nem mesmo faz sentido, não há comprovação empírica possível. Porém, é a imagem de que a consciência é a ponta do iceberg, enquanto o inconsciente é todos resto. Pensar que existe uma consciência vinda do inconsciente é importantíssimo para compreender o que queríamos entender quando inventamos o nome psyché.

As Esferas do Sloterdijk – pensar que o homem é um ser que vive no dentro é um absurdo. Pois se há dentro é necessário haver fora, e segundo este pensamento o homem não pode viver no fora. Ou seja, já a partida este pensamento é incoerente. Porém, explicar a existência relacional do homem com metáforas espaciais e explicar estes espaços como esferas imunológico-ressoantes é de uma inteligencia e perspicácia não quantificável.

A ciência não pode funcionar apenas como empiria. Pois estaríamos nos esquecendo de que o começo disto tudo nós não vimos. E não poderíamos ver, mesmo que com uma luneta mágica nós pudéssemos observar a explosão originária. Seria burrice pensar que o mundo surgiu dali. O que teria originado a explosão originária? A Metáfora e a Metonímia (que prometo estudar e explanar posteriormente) são a atividade científica por excelência. Seria de uma estupidez não quantificável pensar diferente… é claro que uma metáfora pode ser verificável no mundo, porém surge aí outra figura, a catacrese.

Pedro Possebon, Santo André, 27 de abril de 2015

Referencia: Figuras de Linguagem: Metáfora

 

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4 ideias sobre “A ciência como atividade metafórica

  1. Luma

    Excelente texto! Certa vez, numa conversa sobre Física Quântica, um amigo estava me explicando sobre as distinções feitas sobre as partículas quark. E sabe como eles fazem isso? Eles postulam que os quarks possuem SABORES, ou seja, um conjunto de número quânticos que caracterizam essa partícula. Não é incrível? Achei essa metáfora muito fofa!

    Resposta
  2. Pingback: A ciência como atividade metafórica – Pedro Possebon

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