Entrevista com Cecília Meireles

Eu – Nos conte um pouco de vós.

Cecília Meireles – Eu nasci 7 de novembro de 1901, no bairro da Tijuca. Filha de açorianos. Fiquei órfã e fui criada pela minha avó. Lancei meu primeiro livro “Espectros” aos dezoito anos. Me casei aos vinte e poucos anos. Porém, meu marido suicidou-se. Casei-me novamente, até a minha morte.

Eu – Sobre a vida profissional?

Cecília Meireles – Fiz a Escola normal no Rio de Janeiro, entre os anos de 1913 e 1916 estudou línguas, literatura, música, folclore e teoria educacional. Exerci a profissão de professora e de jornalista. Dei aulas no primário e, entre 1935 e 1938 na Universidade do Brasil, atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro. Cheguei a dar aulas de Literatura e Cultura Brasileira também no exterior, na Universidade do Texas. Como jornalista, escrevia principalmente sobre educação, Atuei no “A Manhã” e na revista “Observador Econômico”.

Eu – Cecília, de qual movimento sua geração fez parte?

Cecília Meireles – A minha geração é a do segundo modernismo.  Embora eu tenha sido muito influenciada pelo Simbolismo e pelas técnicas do Classicismo, Gongorismo, Romantismo, Parnasianismo, Realismo e Surrealismo, por essa razão, creio que minha poesia seja atemporal. Eu também sempre volto a alguns temas, quase por herança metafísica, como a morte, o amor, o eterno e o efêmero.

Eu – como você vê a arte abstrata?

Cecília Meireles: A arte abstrata? Nós, pouco a pouco, vamos caminhando para o subentendido, não é? A arte abstrata é uma alusão. Você constrói dentro de si. Muita gente faz coisas com nomes concretos que geram um mundo abstrato e vice-versa.

Eu – Fale sobre seu primeiro livro.

Cecília Meireles:  Espectros foi meu primeiro livro de poesias, publicado em 1919, às minhas custas e em diminuta tiragem. Nunca reeditada ou sequer localizada, sobre ela correu a lenda de que, afinal, nem teria existido. Contra essa suposição depõe um breve artigo de João Ribeiro, bastante simpático ao livro, e publicado em O Imparcial, de 18 de novembro de 1919.

Eu – qual seu obra mais importante, comente sobre?

Não sei, mas fui premiada pela Academia com o “Viagem”. Uma das características modernistas dos livros é a aproximação com a cultura popular, com temas variados e bem simples. Além disso a poetisa trata de música, luzes, cores, natureza, e demais sentidos do ser humano. A obra é inovadora ao retratar uma viagem interior, introspectiva, ressaltando problemas enfrentados pelo ser humano como a solidão, a melancolia, o sonho, as saudades e o sofrimento.

Eu – Como você entrou na poesia?

Cecília Meireles: Aos nove anos, comecei a escrever minhas primeiras poesias. Olhando para trás me sinto uma criança extremamente poética. Uma das coisas que mais me encantavam em minha vida de infância era o eco que vivia em casa de minha avó. Eu vivia procurando o meu eco. Mas tinha vergonha de perguntar. Recolhida, tímida, deslumbrada, me debruçava no mistério das palavras e do mundo. Queria saber, mas tinha imenso pudor de confessar minha ignorância.

Fale sobre o Romance da inconfidência.

Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência caracteriza-se como uma obra lírica, de reflexão, mas com um contexto épico, narrativo, firmemente calcado na história. Em 1789, inspirados pelas idéias iluministas européias e pela independência dos Estados Unidos, alguns homens tentam organizar um movimento para libertar a colônia brasileira de sua metrópole portuguesa.

 

O que é educação para você?

Cecília Meireles: Educação, para mim; é botar, dentro do indivíduo, além do esqueleto de ossos que já possui, uma estrutura de sentimentos, um esqueleto emocional. O entendimento na base do amor.

 

Eu – Como está a juventude de hoje e sua formação?

Cecília Meireles: A juventude de hoje? Acho que são meninos que não têm tempo de crescer. Saltam do apartamento fechado para a calçada de mil solicitações, sem armadura, sem objetivo, sem a necessária religiosidade. A vida passa a ser uma coisa zoológica. Muitos crescem zoologicamente. Inventam modas, mas como não têm essência de verdade, as modas não pegam. As frustrações crescem. Felizmente muitos se realizam apesar de tudo. Cada geração acredita que traz uma nova voz e uma nova mensagem.

 

 

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