O mundo está cheio de deuses

O homem é um ser de relações. Isto é instintual nele. Porém, pode haver catástrofes de várias dimensões nesta condição.

Tento me lembrar de alguém de quem fui próximo. Tento lembrar de amigos na infância inicial. Lembro de alguns, porém o nome só sei de um – com quem não converso há uns doze, treze anos. Não há nenhuma proximidade aqui.

Fui muito próximo da minha avó, mais que de minha mãe. Porém, esta relação não criou uma proximidade tão profundo porque meus avós foram morar no interior quando eu tinha seis anos. Aqui também não há proximidade.

Lembro de conversar com colegas. Mas não me recordo deles. A minha infância foi fantástica, em todos os sentidos da palavra. Minhas companhias eram imaginárias, destas me lembro bem. Quando ocorreu o meu desencantamento do mundo fiquei muito mais pobre.

Assim começo a entender o estranho capítulo seis do livro Esferas I de Peter Sloterdijk. Ele apresenta como acompanhante, antes da própria mãe, figuras como o anjo da guarda ou similares. Não podemos pensar em homem sem deuses.

Fiz grandes amigos a partir dos doze anos. Porém sempre mudei muito de escola, assim não desenvolvi uma proximidade de mais de dez ou onde meses. Quando encontro amigos desta época me dou muito bem. Há uma proximidade longínqua.

O mundo não tem mais deuses, porém ainda há espelhos, pentes, brincos, consoles de jogos, livros, gadgets, etc…

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