Arquivo do autor:Pedro Possebon

O desgoverno de si

Desgoverno de si 2014-2016

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PREC

Uma mulher fez um documentário muito interessante. Pegar personalidades públicas e perguntar-lhes como ela viveram o processo revolucionário (o período entre a revolução dos cravos e a nova constituição, que durou dois anos). Numa entrevista sobre a diretora disse que naquele período ela teve que vir para o Brasil. Nisso ela assistiu um show do Chico Buarque, falou com ele e disse que era portuguesa. Ela perguntou quando ela havia vindo para o Brasil, ela disse que foi recentemente. Então ele rebateu irritado, se você veio para o Brasil agora (durante a revolução) você não é bem vinda!

Arábia Saudita

Agostinho fez bem em lembrar os cristãos das diferenças entre a cidade dos homens e a cidade de Deus. Os bons juízes tentam nos fazer temer mais a justiça dos homens à justiça divina. Porém os melhores sabem que isso é impossível.

O Irã disse que a Arábia Saudita sofreria com sansões divinas por ter executado um líder religioso. Eu pessoalmente temeria mais os EUA e a União Europeia.

Leitura

A leitura é uma dança em que cumprimos os dois papéis. Somos o condutor. Mas também somos a parceira, o membro mais leve do par que pode saltar, rodopiar no ar, jogar-se no chão, etc…

Ler

Às vezes estranho quem gosta de se ausentar deste grosso cascalho a que chamamos mundo. Eu também a faço. É certo que isso quer dizer criar um outro mundo, muito parecido com esse, porém sobre o qual nós temos domínio. É usar a imaginação – ou uma faculdade parecida, como aquela a que chamamos razão – para sermos nosso próprio hitlerzinho.

Uma entrevista do filósofo americano Richard Rorty e o discurso pós-Nobel do escritor latino-americano Mário de Vargas Llosa me deixaram com esta sensação. Como que o pensamento, ou algo parecido, os livros nos tirassem para um mundo mais leve. Uma dança, porém em que fazermos ambos os papéis. Somos o macho por conduzirmos a nossa razão pelos meandros da narrativa – ler não é uma atividade passiva, é também montar a história, o escritor português Valter Hugo Mãe fala bem sobre isso. Ao mesmo tempo em que somos a fêmea, por estarmos leves para saltar e rodopiar como uma bailarina textual.